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quinta-feira, 5 de março de 2015

Caixa de Vidro

Ele estava protegido em uma caixa de vidro
Transparente para eu lembrar que ainda estava lá
Cheio de poeira, músculo involuntário
Seu trabalho era básico, resumido a uma função
Há poucos dias você chegou e assumiu as rédeas
O coração suspirou com sua atenção
Nem se lembrava mais que o amor era sua responsabilidade
Com o novo ar que você trouxe
Respirar se tornou  novamente agradável
O deixou ágil e ele quer fugir de mim
Em carta aberta, declarou que quer te pertencer
Alegou que os seus cuidados dispensava remédios
Por ventura, a cura estava em você
Você pediu permissão para quebrar a caixa de vidro
E ganhar meu coração
Eu consenti.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Quiça dores

Essa não é mais uma carta de amor
Tão pouco desamor
É que apenas você me desarmou
Marcou e depende do olhar
Há quem vir a achar ser cicatriz
Não é

É que morri de saudade
Continuei vivendo
Vivi o seu amor
Te roubei seus beijos
Não devolvi

Você não quis de volta
Já me disse que não volta
Escolheu não dizer adeus
Mas foi sem ir
Por completo

Eu não entendi bem
Mas acredito que você não vem
Tudo bem
Eu acho que vou viver outros amores
Quiçá dores

E ainda assim
Os meus olhos fotografaram em meios às lagrimas
O agrado, o bem
O dado, retirado
Amor

terça-feira, 22 de abril de 2014

Tentar


Eu não sou de insistir e você sabe
Lê minhas linhas, as curvas
Em libras, em braile em línguas
Rapaz, você poderia ter muito mais de mim

Não sou de insistir mas procuro tentar
Nem fujo mais, você me acha
Me diz coisas absurdas que me faz rir

Eu já nem ligo se você me vê ao acordar
Com a camisa azul furada ao lado esquerdo
Que tem seu cheiro
Tem valor

Não quero flor
Aceito chocolates, um cartão com sua letra torta

Afirmando aquilo que eu quero ouvir, por tentar isso mais uma vez

domingo, 20 de abril de 2014

PRONOME PESSOAL DO CASO RETO. SINGULAR.

Era domingo, e ela se lembrava de quando criança. Detestava domingos até poucos anos atrás, eles eram chatos, se moldavam apenas em programas de televisão fúteis. Hoje, é sinônimo de acordar sem despertador, o mais real de felicidade que ela conheceu entre esses anos.
Ela está ok, se olha no espelho, com um pijama amassado, pega sua xícara de achocolatado e se olha de novo. Gosta do que vê, apesar de nem sempre ter sido assim.
Folheia uma revista de moda, joga no canto, pelo tédio da massificação feminina, nunca foi igual àquelas mulheres e hoje respira aliviada por ser diferente.
Submete-se aos pensamentos da noite anterior, e para moldá-los, acompanha de suas escrituras, ou melhor, a sua herança, é um DNA. Para conhecê-la basta lê-la. As rimas às vezes são insistentes, e como não é do gosto dela contrariar, vai cedendo sem reclamar.
Elas, as rimas, fluem, tomam forma e se vão. Mostram-se o íntimo, a privacidade, para quem possa vir a se interessar. Não pedem licença, atropelam muitas vezes pensamentos prioritários.
Sempre ouviu que o passado virá à tona, clichês que ela tanto detesta. Viver o passado parece confuso, as aulas de literatura e gramática voltam e se condensam.
Lembrou-se do amanhecer do sol, encostada na janela do quarto, onde o horizonte estava pintado de um azul ensolarado. Ela odeia sol, mas ficou olhando, sentindo o calor no rosto e ao olhar para céu, pensou nas estrelas, estavam ali, mas não se podia ver. Como muita coisa na vida dela, que eram vividas, sentidas, na carne viva, no âmago, e não se via, ou não se via ainda. Pensou em astrologia, ela sustentava um ar intelectual, aprendeu desde muito nova a preencher seus pensamentos com coisas úteis e sensatas, sabia que seu pior inimigo era seu pensamento negativo de si mesma.
Estudou o céu com os olhos, ficou pensando no quanto era bizarro acreditar em destinos interligados com os astros, apesar de gostar de estudá-los, achava a ideia meio doida. Escrito nas estrelas? Talvez, ela que se acha tão autossuficiente não tenha aprendido a ler os astros, e por ventura nem queira.
Sua avó dizia que não podia apontar para as estrelas porque nasciam rugas, então, ela aprontou a própria cilada e apontou para o coração, que nos últimos meses deveria apenas bombardear sangue, já estava de bom tamanho. Mas já que era uma tarde nostálgica, lembrou-se de antigos amores, ou melhor, seus esboços. Os vividos, platônicos, imorais e até irreais. Ela era tão apegada ao amor que não procurou entender, foi amando, às vezes de forma torta, em troca de migalhas muitas vezes, achava que era o suficiente, ou que julgava merecer. Tolice.
Ela já viveu coisas boas, mas nenhuma o suficiente. Justiça sentimental deveria funcionar depressa, afinal, sua essência era abastecida por ansiedade.
Parou. Olhou ao redor, choque emocional. Coração surrado por más escolhas, por não saber esperar, por atropelar começos, imaginação fértil demais. Vai ver esse é seu castigo, mas no fundo ela não acredita nisso, de não merecer. Usa apenas para justificar gente inconveniente que aparece na sua vida.
As letras servem para mostrar que a vida vai caminhando, que ela está vivendo, antes de tudo aprendendo a lidar com os tropeços, ela era definitivamente desastrada, mas os anos passaram e ela teve que aprender a se equilibrar no salto alto, esquivar das más intenções, com os erros aprender a aperfeiçoar.
Isso tudo reflete em confusão, às vezes ela acha que é perfeita, outras nem tantos, e algumas nenhum pouco. Então ela relaxou, acertar é ótimo, mas não é regra. Nossa face é moldada por risos e lágrimas, e por fim, ela entendeu isso.

Ela é apenas ela, ela sou eu.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Quarta-Feira

Em uma noite de quarta-feira qualquer
Me refugio desse clichê entretenimento  social
É gente demais, preciso de um tempo para organizar meus pensamentos
Avessos e tortos
Ensaiar os encantáveis sorrisos
As palavras que justificam o tudo bem
Sinto falta daquele que ainda não é meu
Saudade da minha certeza de sonhos
Em um olhar que percorre as ruas que eu ei de encontrar
A cada passo que eu dar
Me leve aos seus braços
O tempo fica responsável pelo  o que é justo
A hora de te encontrar
E seja meu, o seu olhar o meu lugar em sua carne