Ele estava protegido em uma caixa de vidro
Transparente para eu lembrar que ainda estava lá
Cheio de poeira, músculo involuntário
Seu trabalho era básico, resumido a uma função
Há poucos dias você chegou e assumiu as rédeas
O coração suspirou com sua atenção
Nem se lembrava mais que o amor era sua responsabilidade
Com o novo ar que você trouxe
Respirar se tornou novamente agradável
O deixou ágil e ele quer fugir de mim
Em carta aberta, declarou que quer te pertencer
Alegou que os seus cuidados dispensava remédios
Por ventura, a cura estava em você
Você pediu permissão para quebrar a caixa de vidro
E ganhar meu coração
Eu consenti.
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quinta-feira, 5 de março de 2015
terça-feira, 24 de junho de 2014
Quiça dores
Essa não é mais uma carta de amor
Tão pouco desamor
É que apenas você me desarmou
Marcou e depende do olhar
Há quem vir a achar ser cicatriz
Não é
É que morri de saudade
Continuei vivendo
Vivi o seu amor
Te roubei seus beijos
Não devolvi
Você não quis de volta
Já me disse que não volta
Escolheu não dizer adeus
Mas foi sem ir
Por completo
Eu não entendi bem
Mas acredito que você não vem
Tudo bem
Eu acho que vou viver outros amores
Quiçá dores
E ainda assim
Os meus olhos fotografaram em meios às lagrimas
O agrado, o bem
O dado, retirado
Amor
Tão pouco desamor
É que apenas você me desarmou
Marcou e depende do olhar
Há quem vir a achar ser cicatriz
Não é
É que morri de saudade
Continuei vivendo
Vivi o seu amor
Te roubei seus beijos
Não devolvi
Você não quis de volta
Já me disse que não volta
Escolheu não dizer adeus
Mas foi sem ir
Por completo
Eu não entendi bem
Mas acredito que você não vem
Tudo bem
Eu acho que vou viver outros amores
Quiçá dores
E ainda assim
Os meus olhos fotografaram em meios às lagrimas
O agrado, o bem
O dado, retirado
Amor
terça-feira, 22 de abril de 2014
Tentar
Eu não sou de insistir e você sabe
Lê minhas linhas, as curvas
Em libras, em braile em línguas
Rapaz, você poderia ter muito mais de mim
Não sou de insistir mas procuro tentar
Nem fujo mais, você me acha
Me diz coisas absurdas que me faz rir
Eu já nem ligo se você me vê ao acordar
Com a camisa azul furada ao lado esquerdo
Que tem seu cheiro
Tem valor
Não quero flor
Aceito chocolates, um cartão com sua letra torta
Afirmando aquilo que eu quero ouvir, por tentar isso mais
uma vez
domingo, 20 de abril de 2014
PRONOME PESSOAL DO CASO RETO. SINGULAR.
Era
domingo, e ela se lembrava de quando criança. Detestava domingos até poucos anos
atrás, eles eram chatos, se moldavam apenas em programas de televisão fúteis.
Hoje, é sinônimo de acordar sem despertador, o mais real de felicidade que ela
conheceu entre esses anos.
Ela
está ok, se olha no espelho, com um pijama amassado, pega sua xícara de achocolatado
e se olha de novo. Gosta do que vê, apesar de nem sempre ter sido assim.
Folheia
uma revista de moda, joga no canto, pelo tédio da massificação feminina, nunca
foi igual àquelas mulheres e hoje respira aliviada por ser diferente.
Submete-se
aos pensamentos da noite anterior, e para moldá-los, acompanha de suas
escrituras, ou melhor, a sua herança, é um DNA. Para conhecê-la basta lê-la. As
rimas às vezes são insistentes, e como não é do gosto dela contrariar, vai
cedendo sem reclamar.
Elas,
as rimas, fluem, tomam forma e se vão. Mostram-se o íntimo, a privacidade, para
quem possa vir a se interessar. Não pedem licença, atropelam muitas vezes
pensamentos prioritários.
Sempre
ouviu que o passado virá à tona, clichês que ela tanto detesta. Viver o passado
parece confuso, as aulas de literatura e gramática voltam e se condensam.
Lembrou-se
do amanhecer do sol, encostada na janela do quarto, onde o horizonte estava
pintado de um azul ensolarado. Ela odeia sol, mas ficou olhando, sentindo o
calor no rosto e ao olhar para céu, pensou nas estrelas, estavam ali, mas não
se podia ver. Como muita coisa na vida dela, que eram vividas, sentidas, na carne
viva, no âmago, e não se via, ou não se via ainda. Pensou em astrologia, ela
sustentava um ar intelectual, aprendeu desde muito nova a preencher seus
pensamentos com coisas úteis e sensatas, sabia que seu pior inimigo era seu
pensamento negativo de si mesma.
Estudou
o céu com os olhos, ficou pensando no quanto era bizarro acreditar em destinos
interligados com os astros, apesar de gostar de estudá-los, achava a ideia meio
doida. Escrito nas estrelas? Talvez, ela que se acha tão autossuficiente não
tenha aprendido a ler os astros, e por ventura nem queira.
Sua
avó dizia que não podia apontar para as estrelas porque nasciam rugas, então,
ela aprontou a própria cilada e apontou para o coração, que nos últimos meses
deveria apenas bombardear sangue, já estava de bom tamanho. Mas já que era uma
tarde nostálgica, lembrou-se de antigos amores, ou melhor, seus esboços. Os
vividos, platônicos, imorais e até irreais. Ela era tão apegada ao amor que não
procurou entender, foi amando, às vezes de forma torta, em troca de migalhas
muitas vezes, achava que era o suficiente, ou que julgava merecer. Tolice.
Ela
já viveu coisas boas, mas nenhuma o suficiente. Justiça sentimental deveria
funcionar depressa, afinal, sua essência era abastecida por ansiedade.
Parou.
Olhou ao redor, choque emocional. Coração surrado por más escolhas, por não
saber esperar, por atropelar começos, imaginação fértil demais. Vai ver esse é
seu castigo, mas no fundo ela não acredita nisso, de não merecer. Usa apenas
para justificar gente inconveniente que aparece na sua vida.
As
letras servem para mostrar que a vida vai caminhando, que ela está vivendo,
antes de tudo aprendendo a lidar com os tropeços, ela era definitivamente
desastrada, mas os anos passaram e ela teve que aprender a se equilibrar no
salto alto, esquivar das más intenções, com os erros aprender a aperfeiçoar.
Isso
tudo reflete em confusão, às vezes ela acha que é perfeita, outras nem tantos,
e algumas nenhum pouco. Então ela relaxou, acertar é ótimo, mas não é regra.
Nossa face é moldada por risos e lágrimas, e por fim, ela entendeu isso.
Ela
é apenas ela, ela sou eu.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Quarta-Feira
Em uma noite de quarta-feira qualquer
Me refugio desse clichê entretenimento social
É gente demais, preciso de um tempo para organizar meus pensamentos
Avessos e tortos
Ensaiar os encantáveis sorrisos
As palavras que justificam o tudo bem
Sinto falta daquele que ainda não é meu
Saudade da minha certeza de sonhos
Em um olhar que percorre as ruas que eu ei de encontrar
A cada passo que eu dar
Me leve aos seus braços
O tempo fica responsável pelo o que é justo
A hora de te encontrar
E seja meu, o seu olhar o meu lugar em sua carne
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